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	<title>Só a verdade importa</title>
	<link>http://www.johnsherman.org/brasil</link>
	<description>Satsang com John Sherman</description>
	<pubDate>Fri, 27 Apr 2007 06:21:21 +0000</pubDate>
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		<title>A história de como eu conheci Gangaji, virei espiritual e encontrei o segredo da felicidade eterna.</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Dec 2006 05:02:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sherman</dc:creator>
		
	<category>Auto-investigação</category>
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Em 1993, eu estava cumprindo pena em uma prisão federal em Englewood, no Colorado. Estava no décimo quinto ano de prisão, por causa de assaltos a banco e atos de sabotagem de cunho político realizados durante os anos 70.  Naquela época, eu não tinha absolutamente nenhum interesse em nada espiritual.  Já tinha me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left" style="margin-right: -0.25in; line-height: 150%">
<p style="line-height: 150%"><span lang="PT-BR">Em 1993, eu estava cumprindo pena em uma prisão federal em Englewood, no Colorado. Estava no décimo quinto ano de prisão, por causa de assaltos a banco e atos de sabotagem de cunho político realizados durante os anos 70.  Naquela época, eu não tinha absolutamente nenhum interesse em nada espiritual.  Já tinha me convencido há muito tempo de que todas as coisas espirituais eram apenas histórias que contamos para nós mesmos, no intuito de nos ajudar a passar os dias sem morrer de desespero diante da óbvia inutilidade e desesperança de nossas vidas que, em última instância, são apenas carne morta, andando e falando até cair morta novamente. Eu realmente não tinha nenhum interesse em nada espiritual. Mas, em setembro de 1993, um amigo me convidou para uma reunião com uma mestra espiritual que estava para vir à prisão; segundo ele, ela era uma mulher loura e deslumbrante do sul do país, que trazia com ela um exótico ensinamento espiritual indiano. Ele me perguntou se eu gostaria de ir à capela e passar um par de horas com ela. Claro que eu gostaria. O objetivo dela não tinha importância. Eu tinha a opção de passar um par de horas em uma sala pequena, com uma loura deslumbrante do sul do país, com um ensinamento exótico para oferecer. Que mal poderia haver nisto?</span></p>
<p style="line-height: 150%"><a id="more-10"></a></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Na noite de sua visita, eu estava andando até a capela, quando tive o que, retrospectivamente, penso que deve ter sido um ataque de pânico.  Fiquei paralizado, tomado por terror. Sabia que ia morrer. Meu coração estava batendo disparado;eu estava suando e sem fôlego. Pensei que provavelmente estava tendo um infarto, embora não sentisse dor. Então, em vez de ir ver esta maravilhosa e exótica mulher, passei todo o tempo da sua visita sentado sozinho em um banco no setor superior, esperando que a experiência diminuísse até desaparecer. Sentado no banco, consegui racionalizar a experência e ver que não era nada tão importante assim. Desta maneira, quando meu amigo saiu da capela e me perguntou por que eu não tinha ido à reunião, eu disse: &#8220;Ah, eu tinha algo melhor para fazer.&#8221; E não disse mais nada.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Quase imediatamente depois disso, comecei a comparecer às reuniões com dois budistas tibetanos que vinham à prisão uma vez por semana, representando o Instituto Naropa, de Boulder. Eles eram discípulos de Trungpa Rinpoche. Não sei porquê, eu não tinha tido nenhuma experiência de despertar repentina;simplesmente comecei a freqüentar o grupo e a escutar o que eles tinham a dizer. E fiquei surpreso ao descobrir que tudo que eles estavam dizendo, eu já sabia. Não sabia que já sabia até ter escutado o que diziam mas, uma vez que tivesse ouvido, cada percepção intuitiva, cada explicação, cada ensinamento budista oferecido por eles era por mim instantaneamente reconhecido como o que eu sempre soubera ser verdadeiro. Assim se iniciou a minha prática budista. Eu me saí muito bem e prossegui muito rapidamente. Os homens que estavam vindo à prisão, representando o Instituto Naropa, estavam muito impressionados comigo. Só deus sabe o que estavam pensando, mas pareciam estusiasmadíssimos por terem me descoberto na prisão. Depois de algum tempo, eles trouxeram um lama tibetano para receber meus votos de refúgio e bodisatva. Percebi claramente que era, sempre fora e, sem dúvida, sempre seria budista. Não sei como contar esta história da minha apresentação ao budismo de uma maneira que faça sentido. Realmente não faz sentido algum. Simplesmente parece que aconteceu e tomou conta de mim com uma espécie de inevitabilidade implacável e irresistível.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Eu também estava comparecendo semanalmente às reuniões com as pessoas que vinham falar sobre Gangaji (a mulher loura do sul do país) e mostrar vídeos de seus satsangs. Quer coisa mais estranha? Eu, que era absoutamente não-espiritual, de alguma maneira tinha sido completamente capturado por este mundo espiritual, esta encenação espiritual. Mas, graças à minha profunda compreensão budista, eu agora era capaz de discernir entre a verdade e a falsidade neste campo, ou pelo menos acreditava que sim, e comparecia às reuniões sobre Gangaji com uma missão. Queria mostrar àqueles homens que se deixavam seduzir por esta mulher que ela era uma mentirosa, uma charlatã e uma trapaceira e eles não deveriam escutá-la. Acho que eu queria salvá-los de suas oferendas sedutoras. &#8220;Os budistas fazem isso há 2.500 anos e eles sabem o que fazem&#8221;, eu dizia aos homens, com o que orgulhosamente considerava grande compaixão.  &#8220;A iluminação exige trabalho longo e árduo; é preciso uma prática de meditação disciplinada e, quem sabe, várias vidas para atingir a liberação, e esta mulher vem aqui e diz que vocês não precisam fazer nada. Fiquem longe dela, eu os alertava, ela é um veneno.&#8221;</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Em abril ou maio de 1994, com três ou quatro meses de prática budista, o homem que tinha me convidado para o mundo espiritual pela primeira vez foi transferido para outra prisão. Ele tinha ocupado o cargo extra-oficial de contato entre a administração e todos os tipos espirituais orientais que vinham à prisão e, em sua ausência, este papel coube naturalmente a mim, a atual estrela do budismo tibetano na FCI</span> <span lang="PT-BR">(Instituição Correcional Federal) de Englewood. Portanto, quando chegou a época do retorno de Gangaji, em junho de 1994, eu era responsável por tomar as providências necessárias, avisar às pessoas e, na noite de sua visita, arrumar a capela para ela, encontrá-la na entrada e acompanhá-la até à capela, juntamente com seus acompanhantes, etc. Não me importava fazê-lo; ela podia ser o demônio mas, para mim, deus ou demônio não fazia diferença. Portanto, fiz o que precisava ser feito e, quando chegasse a hora, eu pretendia ir ao seu encontro e então ir jogar tênis. Eu jogava muito tênis naquela época.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Encontrei-a na calçada. Ela caminhou até mim, segurou a minha mão, olhou para mim e disse: &#8220;Você deve ser John.&#8221; (Ela sabia o meu nome porque as pessoas que traziam os seus ensinamentos à prisão tinha contado a ela sobre este cara que a detestava, falava mal dela e era furiosamente contra ela.)</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">E quando ela falou, tudo parou. Não sei como dizê-lo de outra maneira: tudo simplesmente parou. Os pensamentos pararam. O movimento agitado da atenção, movendo de objeto em objeto, parou. Todo o mecanismo de pensamento e comprensão, intenção, motivo, história, memória (tudo que eu acreditava que era) simplesmente desapareceu. E, na ausência de tudo mais, eu permaneci.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">É claro que me apaixonei imediata e totalmente por ela. Passei o primeiro ano após o nosso encontro em um estado de extrema bem-aventurança e a nítida visão da realidade cristalina da unidade de todo o ser. Escrevi a ela praticamente todos os dias e, por um milagre inimaginável, ela respondeu às minhas cartas com a mesma freqüência. Ela falava sobre mim aonde quer que fosse. Eu era o seu preferido, a sua estrela. E passei aquele primeiro ano mergulhado em bem-aventurança, sem julgamento, sem preferências, nada além de extrema felicidade.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Mas no fundo de tudo, havia a crença invisível, e não menos poderosa por estar oculta, de que esta bem-aventurança, este novo estado, esta nova história era realmente eu. A estas alturas, eu tinha começado a ler todos os livros espirituais que pudesse encontrar. Agora percebo que fiz isso para poder contar para mim mesmo a história do John Sherman iluminado, o John Sherman realizado, a nova e melhorada versão de John Sherman. Eu li os livros de Papaji. Li Nisargadatta e o Cânon Pali budista; li Wei Wu Wei e Rumi; li os Vedas, o Gita, os Upanishads, os Sutras do Coração e Diamante, o Sutra Vajra-Samadhi, o Sutra das Dez Ações Saudáveis, o Sutra da Flor de Lótus, e muitos outros Sutras Mahayana; li o Tripitaka, o  Yoga Vasistha, li sobre Shankara e seus ensinamentos. Não li Ramana porque eu já sabia o que ele tinha a oferecer. A única coisa que Ramana tinha era a pergunta &#8220;Quem sou eu?&#8221; e eu já sabia quem eu era: eu era Ser - Consciência - Bem-Aventurança; Eu era a própria Consciência Desperta, pura, límpida e imaculada. Escrevi a Gangaji naquele ano, dizendo que &#8220;ouço as pedras cantando silenciosas árias do Ser para mim.&#8221; Portanto não precisava de Ramana, ele era simples demais, elementar demais para mim.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Depois de um ano mais ou menos, descobri que a bem-aventurança estava ausente. Descobri que queria outras coisas; queria coisas mais humanas, como o amor verdadeiro de uma mulher, um acesso físico mais direto a Gangaji, sair da prisão, dinheiro suficiente para viver confortavelmente na prisão e, mais tarde, quando fosse libertado, alguma esperança de segurança e conforto, e coisas desse tipo. Descobri que queria tudo isso e muito mais, coisas que eu não tinha, e a experiência de felicidade suprema e paraíso começou a se desfazer,  revelando que não era tudo aquilo que prometia ser. E, semelhante a qualquer boa droga cujo efeito passa, a experiência de abstinência foi mais horrenda e desgraçada do que a &#8220;viagem&#8221; fora bela e magnífica.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Assim, a experiência de paraíso, felicidade suprema, &#8220;tudo é um&#8221; e ausência de separação desfez-se diante da minha crescente convicção de que eu precisava e não tinha certas experiências importantes que me eram negadas:uma nova nova história sobre mim tinha surgido, a história de John Sherman, o ser empobrecido e carente. O que iria acontecer comigo quando eu saísse da prisão? Eu não tinha emprego. Não tinha dinheiro. Não sabia fazer nada. Não tinha ninguém para me amar. . . O que eu iria fazer? Como sobreviveria? Será que o Buda me ajudaria então? Será que Gangaji me ajudaria?</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Tudo desmoronou rapidamente, e o que tinha sido o paraíso, um ano inteiro de felicidade suprema, agora estava revelando a sua outra face:horror, feiúra, claustrofobia, contração, hostilidade, carência, falta, querer o que não poderia ter, resistência fútil, apego, perda, desejo intenso&#8230;</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Caí em um desespero abjeto. Lembro-me que queria gritar aos céus e implorar ao deus no qual não acreditava que fizesse com que eu nunca tivesse conhecido aquela mulher;que fizesse com que eu nunca tivesse escutado falar de iluminação, de auto-realização nem nada daquele lixo. Antes de conhecê-la, tudo estava bem. Eu jogava tênis, bridge, fumava um baseado de vez em quando, passava o tempo com meus companheiros, eu estava bem mesmo. Eu não tinha muito e não esperava grande coisa. Mas agora que o paraíso, a felicidade suprema e a liberdade eterna e incondicional tinham se revelado e tendo visto tudo aquilo desaparecer, eu daria o que quer que fosse para jamais ter ouvido falar de nada daquilo. Eu tinha escutado os budistas dizer que simplesmente ouvir a palavra iluminação já era o maior golpe de sorte em uma vida. Eu me lembrava e cuspia naquela memória. Eu daria tudo para jamais ter escutado aquela palavra e poder simplesmente voltar para o ponto de onde começara;daria tudo para ter uma segunda chance de dizer ao Alan, o cara que tinha me convidado para ir vê-la: &#8220;Não, não quero me envolver com nada disso.&#8221; Mas o inferno não desaparecia, o desejo intenso não arrefecia. A claustrofobia não ralaxava;a dor, o sofrimento, a penúria doentia não iam embora. Não havia nada que fizesse tudo aquilo desaparecer.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Então, finalmente, em desespero, não por causa de alguma compreensão, intuição ou percepção nova, motivado simplesmente pela desesperança e o desespero, voltei-me para Ramana pela primeira vez. Comecei a ler os livros de Ramana. Eu carregava o livro grosso de capa vermelha chamado <em>Talks With Ramana Maharshi</em> (Conversas com Ramana Maharshi) comigo aonde quer que fosse, e lia o tempo todo. Eu lia e não conseguia entender quase nada do que ele dizia. Ele falava de conceitos e práticas com os quais eu estava habituado, como pranayama, mantra e japa, o vazio e a destruição da mente, e outras coisas assim, mas falava sobre tudo aquilo como se fosse irrelevante. As pessoas vinham até ele com perguntas e, embora ele fosse incrivelmente erudito, conhecendo a fundo todas as coisas relativas ao entendimento espiritual e possuindo uma compreensão imediata e profunda do que elas perguntavam, mesmo respondendo a elas a partir daquela compreensão e adotando o vocabulário e o ponto-de-vista delas, era óbvio que para ele tudo aquilo era irrelevante.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">A única coisa que tinha qualquer interesse para Ramana era a pergunta &#8220;Quem?&#8221; Em todo e qualquer caso, Ramana encorajava todos que o procuravam a descobrir a verdade do que eles são. Ele nunca se desviava disto. Jamais. Repetia frequentemente. Quem está perguntando? Quem tem este problema? Quem precisa disto? Quem sofre com isto? Quem quer isto? Quem é você, de verdade? O que é você, realmente?</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Com relação ao ego, ele encorajava estas pessoas que eram tão espiritualmente educadas a esquecer tudo que sabiam sobre a suposta inexistência do ego, aconselhando-as, em vez disso, a &#8220;agarrar o ego pelo pescoço&#8221;.Estas são as suas palavras. Agarrar-se ao ego e ver de onde ele vem, para onde ele vai e o que ele é. Ele falava sobre o pensamento-eu e dizia a todos para tentar ver de onde ele surge. “De onde ele vem?” perguntava ele. “Eu sei que você está  repleto de entendimento espiritual, que você sabe tudo sobre a felicidade suprema, e que é perito em pranayama e tudo mais, mas e este &#8216;eu&#8217;? O que é este &#8216;eu&#8217;? O</span> <span lang="PT-BR">que é realmente?&#8221;Esta é única coisa em que estava interessado. Ele dizia às pessoas para fazerem apenas uma coisa: simplesmente descubra o que você é, e tudo o mais vai se resolver por si mesmo.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Em meu desespero, eu levei suas palavras a sério. E comecei a procurar, da melhor maneira que podia, tentando decobrir o que eu era. Eu não era muito bom nisso, mas comecei a procurar o pensamento-eu, a procurar o ego, o sujeito, a consciência. Comecei a procurar o que é permanente. O</span> <span lang="PT-BR">que sou eu, de verdade? De onde vem o pensamento &#8220;eu&#8221;? A que ele se refere? Afinal de contas, o que é este &#8220;eu&#8221;, esta história que contém uma única palavra?</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Eu tive muita sorte porque estava na prisão e, por causa de delitos anteriores, só tinha que trabalhar durante 20 minutos todos os dias. A administração da prisão onde eu estava naquela época tinha me proibido de trabalhar a menos de 30 metros de qualquer computador e o único trabalho que se encaixava nesta descrição era a limpeza do banheiro da sala dos guardas, uma tarefa que levava no máximo 20 minutos para ser completada, e depois disso eu estava livre para caminhar no pátio, sentar na minha cela, e fazer qualquer coisa contanto que ficasse longe dos computadores.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Portanto, passava todo o meu tempo procurando: procurando, procurando e procurando; lendo Ramana, procurando, e nada mais; totalmente preocupado, obcecado mesmo pela necessidade de descobrir a verdade sobre mim mesmo. Eu tinha ouvido Ramana dizer que o único problema é a falsa convicção acerca do que eu sou, que a única solução é a verdade, e que a verdade é fácil. Ouvira Ramana dizer que nenhuma experiência, nenhum fenônemo, nada de bom e nada de ruim tem qualquer significado nesta questão. Nada disso é errado. Suas práticas não estão erradas, suas crenças e convicções não estão erradas, suas coisas boas e más não estão erradas. Elas simplesmente não têm nenhuma utilidade aqui. Descubra quem você é e tudo mais se resolverá por si mesmo.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Eu ficava sentado no meu beliche, olhando para &#8220;dentro&#8221;. Eu sabia que o mero pensamento de olhar para dentro não era nada espiritual. Dentro e fora não existem, não é mesmo? Tudo é um, não existe dentro nem fora, nem em cima nem embaixo, nem eu nem você, nem sofrimento, nem o fim do sofrimento, e daí por diante. Mas ainda assim, eu tinha que fazer alguma coisa, tinha que olhar em algum lugar, portanto tentei olhar para dentro, de todo coração, para descobrir o que é este dentro. O que é estar dentro? Onde dentro se localiza? E eu buscava a &#8216;mim&#8217; e buscava o &#8216;eu&#8217;.  E buscava o ego. Encontrava experiências de contração e carência, pequenos nós de sensações desagradáveis que se revelavam como estando dentro do que parecia ser o corpo. E aquilo tinha a sensação de &#8220;mim&#8221;.  Então devia ser o ego. Pouco me importava que isto fosse espiritualmente incorreto. Eu me dirigia ao que quer que fosse que parecia ser eu e me agarrava àquela coisa, segurando-a pelo pescoçoo. E nada demais acontecia. Mas eu continuava, eu persistia. Sentava na minha cama e me agarrava a estas experiências de carência, de desejo intenso, contração e agressão, dizendo em silêncio a mim mesmo, com toda a energia agressiva que pudesse conjurar:</span> <span lang="PT-BR">&#8220;Morre!&#8221; Morre! Morre!”, tentando de todo coração matar esta coisa de uma vez por todas. Afinal de contas, o insight espiritual mais comum é  que o ego tem que morrer ou ser curado, e a cura me parecia altamente improvável.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Um dia, sentado no meu beliche, tentando fazer com que o ego morresse, me ocorreu o seguinte: &#8220;Ora, esta coisa nunca vai morrer!”E eu explodi em gargalhadas. Eu morri de rir&#8230; Foi bom.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">No chuveiro, sentindo a água escorrendo pelo meu corpo, eu me concentrava na sensação da água na pele, tentando ver o que era esta experiência de estar consciente, não da água ou da pele, mas simplesmente a sensação nua e crua em si mesma. Como Ramana tinha me dito para buscar a mim mesmo, eu tentava descobrir o que era estar consciente daquela sensação. Era a única coisa que eu tentava fazer, buscar a mim mesmo, aprender como procurar a mim mesmo procurando. Eu procurava o sujeito. O que sou eu, de verdade? O que é isso que sente a sensação da água na pele? O</span> <span lang="PT-BR">que é isso que percebe que aquilo é água e isso é pele? O que é isso que vê estes pensamentos? De onde vêm estes pensamentos? O que é pensamento? Como posso capturar isso?</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">E um dia no chuveiro (nunca mais esquecerei este dia enquanto viver) eu estava ensaboando a minha axila enquanto olhava para dentro, tentando ter a experiência direta do &#8220;experienciador&#8221;. Quem está sentindo isto? Quem é este que sente isto? O</span> <span lang="PT-BR">que é estar consciente disto? De repente, sem qualquer aviso, eu vi, sem a menor possibilidade de engano, isto que Ramana chama de pensamento-eu explodir, a partir do nada. E reconheci, instantânea, inesperada e indisputavelmente que era a sensação real disso que sempre tinha acreditado ser eu. Ele apareceu do nada, no nada, como a primeira fagulha de um foguete que explode em um espetáculo de fogos de artifício, irrompendo no céu escuro e vazio, precipitando-se para fora, florescendo e se ramificando, como uma chuva flamejante de memórias, intenções, expectativas, o enredo sobre o que eu estou fazendo e por quê, e o que pretendo fazer em seguida e por quê, e tudo mais; flor e ramo, desabrochando e então desaparecendo no mesmo nada do qual se originaram, de onde surgia quase imediatamente um outro eu, uma outra narrativa da minha história. E foi tão encantador e vívido, com surpreendente insight e entendimento espiritual, confirmação e alívio, que uma torrente de lágrimas escorreu pelo meu rosto, felizmente oculta dos outros presos endurecidos também presentes no banheiro coletivo pela água do chuveiro.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">E nada disso significa coisa alguma. Nada disso tem a ver com o objeto da auto-investigação. A maravilha de se ver que o ego não pode morrer, o esplendor de se ver o nascimento-morte-renascimento do pensamento-eu, o ano de felicidade suprema, o colapso da bem-aventurança, os meses no inferno, nada disso significa coisa alguma.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Minha intenção, ao relatar a você este melodrama espiritual, não é sugerir que a a minha agitação cega seja a maneira correta de conduzir a auto-investigação, pelo contrário: com o meu mau exemplo, quero mostrar a você que a auto-investigação é infalível e que você não tem como fazê-la da maneira errada. Por pior que seja a maneira como é realizada, uma vez que a intenção de descobrir o que você é tenha tomado conta de você, a auto-investigação o conduzirá de volta ao lar.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Eu pensava que sabia do que Ramana estava falando;pensava que entendia o que ele queria dizer quando falava do eu-pensamento, do eu-eu, de libertar-se da mentira, e daí por diante. Pensava que compreendia que o que ele estava prometendo quando falava de Auto Realização e, mesmo quando ele insistia que a Auto Realização não é e nem pode ser nada de novo, e que não pode ser um estado novo, eu não me deixava enganar. Eu sabia que o &#8220;estado natural&#8221; de que ele falava seria algo inteiramente puro e novo, um estado com o qual nós,  prisioneiros que somos de uma teia de ignorância e desejos insatisfeitos, apegos e resistência, sequer podemos sonhar. Eu sabia, com certeza absoluta, que a realização significava o<em> fim</em> de desejos insatisfeitos, apegos e resistência, o desmatamento da selva de intelecto e sensação que é a vida humana. Conforme procurava desesperadamente por mim mesmo, eu <em>sabia</em> o que aconteceria quando finalmente visse a verdade resplandescendo na escuridão e <em>sabia</em> que toda a confusão e a ignorância desapareceriam ao sol da manhã.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Como poderia eu imaginar que não era preciso fazer nada com relação ao apego e a resistência, a confusão e a ignorância e o desejo intenso de felicidade? Eu pensava que a falsa crença era a <em>causa</em> de todas estas coisas e que, em sua ausência, elas desapareceriam e a clareza prevaleceria. Eu pensava que o <em>objetivo</em> da auto-investigação era livrar-me destes estados e experiências opressivos.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Mas, na realidade,  o sofrimento da vida humana não tem nada a ver com os estados de confusão e ignorância, os atos de apego e resistência, ou a experiência de um desejo intenso de felicidade; o sofrimento não tem nada a ver com a confusão miserável que caracteriza grande parte da vida humana e nada a ver com a oscilação nauseante entre experiências boas e ruins. Todas estas coisas, todos estes estados, os bons, os maus e os neutros, são apenas histórias sobre você, no esforço de explicar e mostrar-lhe a si mesmo e, quando finalmente são vistos pelo que são, percebe-se claramente que eles não podem lhe fazer nenhum mal nem tampouco ajudá-lo.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Mas como poderia saber isso, prisoneiro que estava da convição de que esta história sobre mim era realmente eu, e que a minha felicidade, minha própria existência dependiam do resultado desta história?</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Ainda assim, apesar de todos os meus esforços para sabotar o método de Ramana, o remédio fez efeito.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">É útil pensar na auto-investigação como um remédio, como um antibiótico que se toma para curar uma doença infecciosa. Se você está doente, com uma doença infecciosa, você consulta um médico; ele lhe lhe receita um antibiótico, que você tem que tomar quatro vezes ao dia durante quatorze dias. Ele lhe dirá para tomar todos os comprimidos, mesmo se começar a se sentir melhor antes do prazo de quatorze dias.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">A auto-investigação consiste em simplesmente olhar diretamente para si mesmo, para o simples e inegável fato de que você está <em>aqui</em>, olhar para esta experência nua de Ser, sem esperar nem projetar nada neste olhar. Este Ser, esta sensação de presença é a totalidade da verdade sobre você. Ela é permanente, imutável e jamais ausente. Ela sempre esteve presente no pano de fundo de cada momento de sua vida. Ela está presente enquanto você dorme, quando está acordado, sonhando, trabalhando, se divertindo, pensando, e está aqui quando você está querendo algo e quando não está querendo nada.. Neste momento, ela é exatamente a mesma que era quando você tinha três,  treze ou trinta anos. Ela é isto que faz com que seja impossível negar que você existe. Ela é a única verdade que existe e olhar para a verdade é o remédio que destrói a mentira de que você é a sua vida.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">E você tem que tomar este remédio não apenas três ou quatro vezes ao dia, mas absolutamente sempre que se lembrar, e precisa tomá-lo até o fim de sua vida. Mas você logo verá, e eventualmente compreenderá, que olhar para a realidade de si mesmo é o que você sempre quis, desde o dia em que nasceu e, portanto, você não terá qualquer dificuldade em lembrar de retornar a este poço e beber desta água, tomar este remédio.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Quando você toma um antibiótico para curar uma infecção no corpo, você não sabe exatamente o que está acontecendo conforme o tratamento prossegue. Você não pode ver nem sentir o envenenamento gradual e os estertores dos micro-organismos que invadiram o seu corpo. Você não está diretamente consciente dos processos biológicos da cura que ocorrem enquanto o poder da doença diminui com a morte de sua causa. Você só sabe que, gradualmente, pouco a pouco, cada dia você se sente um pouco melhor do que se sentia no dia anterior.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">O</span> <span lang="PT-BR">mesmo ocorre com a auto-investigação. Não espere uma mudança de perspectiva ou um estado espetacular, pois não é isto que a verdade lhe traz. A verdade não é algo novo, e a verdade traz unicamente a verdade, retirando de você a mentira que é a única causa do seu sofrimento. Muitas experiências podem ocorrer, boas e más, conforme a mentira se arrefece e a necessidade de controlar as coisas morre com ela, mas elas não significam nada. Aos poucos, cada dia você se sentirá melhor do que no dia anterior, independentemente da natureza das experiências que vão e vêm em você. E por fim, você estará em paz com tudo. <em>Como sempre esteve.</em></span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Pode contar com a continuação do ego e, com ele, o drama da história da sua vida, mas ele significará cada vez menos para você, pois perderá a sensação de importância desesperada que tem agora. Afinal de contas, o ego não é o problema. A mentira de que o ego é <em>você</em>, este é o único problema.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">E lembre-se sempre:<em> você não tem como errar</em>. A única coisa necessária é a intenção firme de olhar para si mesmo diretamente, sempre que puder, e tudo mais se resolverá por si mesmo.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Esta é única coisa de valor que se pode deduzir de meus esforços na direção errada. Apesar de toda a minha estupidez e o meu gosto pelo drama, tudo que fiz a partir do momento em que me voltei para a auto-investigação inadvertidamente me trouxe face a face com a experiência direta de mim mesmo, com a verdade de mim mesmo, repetidamente.. E foi <em>isso,</em> e somente<em> isso</em>, nunca o que eu pensava que estava acontecendo, que com o passar do tempo erradicou a mentira de que eu sou a minha vida. Seja o que for que eu pensava que estava acontecendo, eu estava olhando para mim mesmo, repetidamente, sem saber, e foi unicamente isso que me libertou da mentira.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Eu continuei a investigação;continuo ainda hoje, e pretendo continuar até o meu último suspiro. Com o tempo, minha crença na história foi diminuindo e agora parece ter desaparecido completamente. Não posso dizer que em um determinado dia encontrei a liberação ou que em um certo dia despertei para a liberdade eterna e incondicional. Na verdade, jamais houve um momento sequer em que eu não tenha sido o que eu sou, e o que eu sou não é nada mais do que a certeza de ser que <em>é</em> liberdade eterna, paz e amor.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Quanto à história e à minha vida, ela com certeza mudou. O que antes era difícil, agora é fácil e agradável, o que era amargo tornou-se doce, o que era privação transformou-se em realização, e o que era uma prisão agora é liberdade eterna e esplendorosa. Mas, na verdade, sempre foi assim. As circunstâncias eram, e ainda são, às vezes difíceis e outras vezes fáceis, às vezes agradáveis e outras difíceis, às vezes carentes e outras vezes plenas, às vezes restritas, outras vezes abertas e livres, mas a vida em si jamais foi outra coisa senão um instrumento através do qual eu saboreio a mim mesmo, através do qual eu vejo o desenrolar interminável desta tentativa fútil e gloriosa de dizer a mim mesmo o que eu sou. Toda a vida é isso. A totalidade do cosmos e todo o tempo e o espaço são isso. Cada pensamento bom e cada pensamento ruim, cada ação generosa e cada ato egoísta, cada momento de clareza e cada momento de confusão obscura são um fio neste tecido do ser que é sem fim, que é um infinito ato de tornar-se.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">O que mudou mais fabulosamente foi que, na ausência da crença de que eu sou a minha vida, e na ausência de qualquer convicção sobre o que eu sou e o que eu não sou, a energia de agressão, ódio e traição que naturalmente flui a partir da crença sobre o que eu sou simplesmente desapareceu. Nada está em jogo aqui. Nada que acontece aqui me atinge, tira o que quer que seja de mim, me dá o que quer que seja, ou me modifica de qualquer maneira que seja. Foi sempre assim, e foi somente a crença de que eu sou a minha vida, de que eu sou uma <em>coisa</em>, o que quer que seja, que fez com que parecesse diferente.</span></p>
<p style="line-height: 150%" class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Se eu tivesse tido uma orientação prática e direta na execução da auto-investigação, minha busca poderia ter sido muito mais curta, mais direta e menos melodramática mas, sem os meus passos em falso e a minha confusão com relação ao que precisava fazer, talvez eu nunca tivesse percebido que o que eu pensava que estava fazendo era irrelevante.  Sem os meus tolos esforços para ver o pensamento-eu, para <em>me tornar</em> o eu-eu, para me livrar do ego desejando a sua morte ou vendo que ele era falso, muito provavelmente eu jamais teria visto a perfeita simplicidade da auto-investigação de Ramana, jamais teria percebido e não poderia agora sugerir a você que, seja lá o que for que você está fazendo ou as razões pelas quais você pensa que está fazendo o que está fazendo;independentemente do que você pensa que vai ganhar ou perder com isto, simplesmente olhe para si mesmo, sempre que lhe ocorrer, e tudo mais se resolverá por si mesmo.</span></p>
<p style="line-height: 150%"><span lang="PT-BR">Em última análise, se você acreditar que é qualquer <em>coisa</em>, seja esta a menor, mais limitada, insignificante, sem esperança e inútil de todas as coisas em toda a criação, ou seja ela eterna, infinita, a própria Consciência radiante e esplendorosa, a fonte e a origem de toda a criação, ou qualquer coisa entre estes dois extremos, você sofrerá e lutará para proteger, melhorar ou piorar a história de si mesmo.</span></p>
<p align="left" style="margin-right: -0.25in; line-height: 150%"><span lang="PT-BR">Em última instância, só a verdade importa, e a verdade de você está sempre presente; ela é inegável e está sempre instantaneamente acessível a você, em todas as horas e circunstâncias. Simplesmente olhe para si mesmo neste momento e você verá.</span></p>
<p><span lang="PT-BR" />
</p>
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		<title>Precisamos de um novo modelo&#8230;</title>
		<link>http://www.johnsherman.org/brasil/2006/11/23/um-novo-modelo/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Nov 2006 06:46:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sherman</dc:creator>
		
	<category>Mestres, ensinamentos e discípulos</category>
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		<description><![CDATA[Em tempos remotos, a humanidade (ou seja, nós) lidava com os horrores de uma existência inexplicável em um mundo inclemente e implacável através da criação de deuses e espíritos, que então eram adorados com medo e devoção incondicionais. Nós nos curvávamos reverentemente diante deles, considerando-os a fonte de todas as coisas, boas e más, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="PT-BR">Em tempos remotos, a humanidade (ou seja, <em><span style="font-family: Arial">nós) </span></em>lidava com os horrores de uma existência inexplicável em um mundo inclemente e implacável através da criação de deuses e espíritos, que então eram adorados com medo e devoção incondicionais. Nós nos curvávamos reverentemente diante deles, considerando-os a fonte de todas as coisas, boas e más, que nos aconteciam. Buscávamos meios de apaziguar estas forças obscuras e incompreensíveis, para nos proteger de seus movimentos inescrutáveis no mundo, através de sacrifícios; através da intervenção de feiticeiros, ritos e rituais supersticiosos; e através da submissão abjeta ao que imaginávamos ser a <em>sua</em> vontade.</span><span lang="PT-BR" /></p>
<p><span lang="PT-BR">E então, há mais ou menos 2.500 anos, começamos a nos libertar desta confusão obscura, e surgiu em nós a idéia de que a verdade de todas as coisas só pode ser encontrada dentro de nós mesmos. Esta virada deu origem a todas as religiões e práticas espirituais não animistas ainda vigentes no mundo de hoje. Na Índia, os Vedas, os Upanishads, e os ensinamentos de vedanta, dvaita e advaita surgiram todos a partir desta idéia nova e surpreendente: Deus está dentro de nós; a verdade está dentro de nós; a liberação do sofrimento e da confusão está dentro de nós; a Realidade absoluta está dentro de nós.<a id="more-9"></a></span></p>
<p><span lang="PT-BR">O Buda surgiu entre nós no início desta virada e nos incitou, nesta aventura, a confiar primeiro e acima de tudo em nossa inteligência e bom senso naturais. Ele nos disse para não acreditar em nada, nem mesmo em suas palavras, se elas não estivessem de acordo com o que pudéssemos ver e compreender por nós mesmos. Mas nós não prestamos atenção a ele e preferimos, como sempre, buscar outra pessoa em quem acreditar; outro alguém a quem implorar pela verdade; outra pessoa para nos conceder o objeto de todos os nossos desejos e o fim de toda a nossa confusão.  E o modelo que criamos em substituição ao modelo antigo foi<em> </em>o <em>mesmo</em> modelo antigo:</span><span lang="PT-BR"> </span><span lang="PT-BR">gurus inescrutáveis, instrutores cuja sabedoria ultrapassa a nossa capacidade de compreensão e mestres místicos transcendentais tomaram o lugar dos deuses antigos, espíritos e forças ocultas.</span></p>
<p><span lang="PT-BR">Ainda hoje, no Ocidente secular e mundano, assim como no Oriente supersticioso, honramos este modelo.  Buscamos gurus, mestres e pregadores, seres espirituais de todos os tipos, esperando receber deles dádivas, realizações e favores especiais em função de nossa devoção e mérito. Nós, os discípulos, os devotos, os suplicantes, sentamos aos pés de nossos mestres ansiando de todo coração pela transmissão de alguma energia ou estado que nos despertará do transe da ignorância e nos atirará em um estado que transcenderá a consciência normal e dispersará (ou melhor, destruirá) a mente; uma transmissão que exterminará o ego e o pensamento-ego e criará dentro de nós uma nova realidade, vazia e pura, na qual todas as coisas serão vistas claramente e a paz, a liberdade e o amor reinarão livres e desimpedidos.</span></p>
<p><span lang="PT-BR">Ou então buscamos mestres que nos darão práticas, técnicas e interpretações ocultas que dissiparão a neblina dos impulsos neuróticos, emoções negativas, respostas impróprias a estímulos e todas as formas de auto-traição, na crença de que a verdade está bloqueada e oculta aos nossos olhos por causa destes hábitos mentais; e que se ao menos conseguíssemos encontrar um momento de verdadeira clareza, a verdade venceria de uma vez por todas e brilharia com uma força tal que dissolveria a fumaça espessa e quente de auto-ilusão e auto-envolvimento estúpido que caracterizam todos os nossos pensamentos e desejos. Se ao menos a mente pudesse ser consertada, transformada em algo claro e verdadeiro, aí então tudo ficaria bem.</span></p>
<p><span lang="PT-BR">Este modelo já existe há aproximadamente 2.500 anos e ele não tem funcionado muito bem. Se tivesse funcionado, não haveria agora <em><span style="font-family: Arial">menos</span></em> ódio, violência e crueldade entre nós? Não haveria a estas alturas uma grande maioria de seres iluminados irradiando sabedoria e paz por toda a humanidade?  Será que ainda teríamos que responder a estas perguntas com referências misteriosas a sábios ocultos aos nossos olhos, ou recorrendo a perversões da percepção intuitiva de que tudo está bem exatamente como está? Já se passaram 2.500 anos e nós ainda escutamos dizer que a realização é apenas para poucos. Como isso é possível?  De que maneira isto se coaduna com a insistência do Buda em que confiássemos em nossa própria inteligência inata? Isto lhe parece razoável?</span></p>
<p><span lang="PT-BR">Nós precisamos desesperadamente de um novo modelo; um modelo que se origine da percepção clara de que o próprio âmago, o cerne mais profundo e radical do que é possível aqui é a simples percepção intuitiva de que somos realmente o que buscamos, e que a única causa de toda e qualquer confusão e sofrimento é uma falsa crença acerca do <em><span style="font-family: Arial">que</span></em> somos; e a <em><span style="font-family: Arial">única</span></em> solução para <em><span style="font-family: Arial; font-style: normal">este</span></em> problema é a verdade, que é a realidade, sempre presente e evidente, do nosso <em><span style="font-family: Arial">ser</span></em>.  Precisamos de um modelo que reconheça que, embora certamente existam aqueles nos quais a mentira da falsa identidade foi eliminada e que talvez possam ser de alguma utilidade para aqueles de nós que ainda somos prisioneiros desta mentira, o único mestre verdadeiro é aquele que sabe que é um servidor e não o senhor.  Precisamos de um novo modelo no qual possamos confiar em nossa própria inteligência e discernimento para separar o joio do trigo. </span>
</p>
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		<title>Transparência e responsabilidade</title>
		<link>http://www.johnsherman.org/brasil/2006/11/05/transparencia-e-responsabilidade/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Nov 2006 03:24:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sherman</dc:creator>
		
	<category>Mestres, ensinamentos e discípulos</category>
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		<description><![CDATA[
Mestres espirituais têm que obedecer a padrões mais elevados de comportamento e transparência do que seus discípulos; nós não podemos ser eximidos de nosso comportamento abusivo e cruel, com base na idéia de que somos inerentemente imunes à crítica em virtude de nosso avançado estado de realização.
Nós somos, afinal de contas, aqueles a quem as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="PT-BR" /></p>
<p><span lang="PT-BR">Mestres espirituais têm que obedecer a padrões mais elevados de comportamento e transparência do que seus discípulos; nós não podemos ser eximidos de nosso comportamento abusivo e cruel, com base na idéia de que somos inerentemente imunes à crítica em virtude de nosso avançado estado de realização.</span></p>
<p><span lang="PT-BR">Nós somos, afinal de contas, aqueles a quem as pessoas se dirigem em busca de ajuda para resolver os aspectos mais profundos e perturbadores da existência humana; nós somos aqueles a quem elas se dirigem em busca da liberação final do sofrimento universal que parece ser o destino natural de uma vida humana. Assim sendo, queira ou não queira, nós somos vistos como seres fora e acima da norma, diferentes delas, e respondendo a um chamado mais elevado do que a satisfação, felicidade e gratificação pessoais.<a id="more-8"></a> </span></p>
<p><span lang="PT-BR">As pessoas que vêm até nós geralmente estão dispostas a por tudo em risco, na esperança de serem guiadas de uma vez por todas ao fim do sofrimento e da confusão e à eliminação do anseio pela felicidade. Elas vêm a nós condicionadas por milhares de anos de tradição tacanha, acreditando que somos inescrutáveis e que os padrões normais de conduta humana não se aplicam a nós. Elas acreditam que o que temos para lhes oferecer é tão misterioso e oculto aos olhos comuns que lhes falta uma base para julgar nossa conduta; por mais abominável que seja, ela pode ser exatamente o que é preciso para &#8220;despertá-las&#8221;.</span></p>
<p><span lang="PT-BR">É claro que nós podemos recorrer a idéias falidas sobre não-dualidade e que tais para justificar as nossas falhas mas, na minha opinião, isto não funciona; isto é simplesmente mais uma história limitada sobre a realidade; uma história sem vida, sem alegria, sem nada real. Nós que desempenhamos este papel peculiar precisamos ser francos acerca de nossos atos e temos que assumir a responsabilidade pelos nossos erros, por mais &#8220;não espiritual&#8221; que isso possa parecer. As pessoas <em>confiam</em> em nós, e nós temos que fazer todo o possível para nos manter merecedores desta confiança.</span></p>
<p><span lang="PT-BR">Você é o mestre. O guru não existe. Não existe ninguém para dispersar as trevas. Não há ninguém a quem se deve devoção; ninguém a quem devoção é devida como uma condição para a sua realização, e nada em você que precise ser consertado. Não há nada que precise ser removido para você poder ver o que você é.  Você</span> é<span lang="PT-BR"> tudo que existe</span>.
</p>
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		<item>
		<title>Eu quero usar este espaço para discutir com você a simples e perfeita auto-investigação de Ramana Maharshi.</title>
		<link>http://www.johnsherman.org/brasil/2006/09/28/como-eu-quero-usart-este-espaco/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Sep 2006 20:31:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sherman</dc:creator>
		
	<category>Auto-investigação</category>
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		<description><![CDATA[Vamos começar do começo, sem saber nada a não ser que estamos aqui, como seres humanos, e que parece haver algo fundamentalmente errado na vida como um ser humano: ela deveria ser melhor, mais fácil e mais agradável do que é.
Quero convencer você a experimentar este método, porque tenho certeza de que se você o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos começar do começo, sem saber nada a não ser que estamos aqui, como seres humanos, e que parece haver algo fundamentalmente errado na vida como um ser humano: ela deveria ser melhor, mais fácil e mais agradável do que é.</p>
<p>Quero convencer você a experimentar este método, porque tenho certeza de que se você o experimentar, ele vai naturalmente energizar a sua vida interior e, por fim, acabará com a ilusão de sofrimento pessoal na qual, de alguma maneira, percebemos nossas vidas como promessas não cumpridas; as sensações de vida que vão e vêm em nossos corpos como objetos de medo, luxúria ou aversão; nossas mentes como temíveis e obscuras selvas de confusão; nossos amigos, vizinhos e familiares como inimigos; e este doce, doce mundo como um acampamento hostil.<a id="more-7"></a></p>
<p>Para iniciar a auto-investigação, você não precisa abandonar nada do que está fazendo agora, ou tentando não fazer. A auto-investigação também não requer que você decida se é contra ou a favor de qualquer prática espiritual, pois a auto-investigação de Ramana Maharshi não é de modo algum uma prática espiritual no sentido que normalmente atribuímos a este termo. A auto-investigação não é afetada por nada disso; ela passa ao largo de toda e qualquer atividade mental e espiritual e faz seu trabalho em silêncio.</p>
<p>Então o que é auto-investigação? Qual é a sua utilidade? Quando busco entender a mim mesmo, me transformar, transcender a mim mesmo, entrar em sintonia com o meu ser verdadeiro, etc., não estou fazendo auto-investigação? Não é verdade que qualquer prática espiritual que busque a unidade é uma forma de auto-investigação? O &#8220;Quem sou eu?&#8221; não é coisa para iniciantes?</p>
<p>Não, na verdade, a auto-investigação não é nada disso.</p>
<p>A auto-investigação, <em>atma vichara</em> em sânscrito, existe há muito, muito tempo, há mais de 2.500 anos. Em tempos remotos, a auto-investigação consistia em um conjunto de práticas sagradas, meditações e austeridades cujo objetivo era libertar o ilimitado e eterno Ser Verdadeiro da armadilha das ilusões de samsara nas quais o Ser Verdadeiro se encontra aprisionado pela mente condicionada. Todos os pensamentos, sentimentos e desejos comuns tinham que ser eliminados à força, se é que havia a menor esperança de se poder abrir caminho através da neblina de condicionamento, impulsos subconscientes (<em>vasanas</em>) e conseqüências cármicas que nos mantinham para sempre do lado de fora, sem acesso à realidade esplendorosa do nosso Ser Verdadeiro. Este ponto-de-vista segundo o qual existe um Ser Verdadeiro que precisa ser liberado, um Ser Verdadeiro no qual eu preciso me transformar, e pelo qual eu preciso transcender o meu ego e a minha vida cotidiana ainda é imensamente prevalente em círculos espirituais modernos e, em minha opinião, causam grande dano a todos que se deixam seduzir por ele.</p>
<p>A auto-investigação de Ramana Maharshi também não é nada disso. Ela é muito menos e muito mais simples do que tudo isso. Para Ramana, não existe um &#8220;Ser Verdadeiro&#8221; do qual você está separado; existe somente você, exatamente como você é.</p>
<p>Para Ramana, a necessidade de auto-investigação é óbvia e universal e ela surge naturalmente quando nos damos conta de que a única causa de todo o sofrimento humano é uma falsa crença acerca do que nós somos. Ou, em outras palavras, a causa de todo o meu sofrimento é uma falsa crença em relação ao que eu sou.</p>
<p>Reflita comigo um momento. Mesmo que você já tenha escutado isto antes; mesmo se você estiver completamente familiarizado com esta afirmação e concorde com ela ou discorde dela completamente, pare um instante e considere-a como se a estivesse vendo pela primeira vez, como se ela significasse exatamente o que diz. Não é possível receber o ensinamento que Ramana tem para nos oferecer sem antes realmente compreender que este insight profundo e poderoso é o terreno no qual ele que se fundamenta e do qual se sustenta.</p>
<p>Se é verdade que a causa de todo o meu sofrimento é uma falsa crença sobre o que eu sou, a única coisa que realmente importa é saber a verdade acerca do que eu sou. E saber a verdade forçosamente me libertará de qualquer idéia falsa sobre o que eu sou. Nada mais pode fazer isso. A busca da verdade da minha natureza é auto-investigação.</p>
<p>Isso não pode ser difícil, não é? Afinal de contas, eu estou sempre aqui. Eu estou sempre, completamente, disponível para mim mesmo. Nenhum desenvolvimento espiritual especial é necessário para entender isto. Com certeza, eu posso, sempre que quiser, olhar para mim mesmo. Eu posso saborear, por um momento, a sensação de existir. A auto-investigação de Ramana não é nada mais do que olhar diretamente para mim e saborear a sensação de mim mesmo.</p>
<p>Eis a promessa: se você parar um momento, sempre que puder, sempre que se lembrar, e voltar a sua atenção consciente para esta experiência nua e crua de existir (que é tudo que você é), seu sofrimento imediatamente começará a diminuir e a fumaça quente e espessa de falsidade, confusão, dúvida e medo que encobre a mente começará a se dissipar. E, nas próprias palavras de Ramana, tudo vai dar certo no final.</p>
<p>Na verdade, este exame, esta auto-investigação não é um caminho nem um método para se alcançar a Realização; ela é a Realização, e cada momento que você passa com a sua atenção repousando na experiência de existir é passado em total e consciente realização da Realidade.</p>
<p>E se você continuar com esta prática e torná-la parte de sua vida, toda a falsidade finalmente desaparecerá e o que sempre esteve aqui, a paz, a naturalidade e o amor incondicional serão revelados, completa e permanentemente, de uma vez por todas.</p>
<p>Este é o começo e o fim do ensinamento da auto-investigação segundo Ramana Maharshi:</p>
<p>* Não existe nenhum problema em lugar algum, além de uma falsa crença acerca do que você é.</p>
<p>* A única solução para este problema é saber conscientemente a verdade sobre o que você é, e esta verdade infalivelmente porá um fim em toda a experiência de tormento em sua vida e a projeção deste tormento nos outros.</p>
<p>* Não é preciso entender o que você falsamente acredita ser e, na verdade, isso é impossível.</p>
<p>* Esta falsa crença é inteiramente inconsciente e não pode ser vista.</p>
<p>* Não se trata de escolher uma coisa em vez de outra: de acreditar, por exemplo, que eu sou Consciência em vez de ego; trata-se de uma limitação. Na verdade, nós somos (você é, eu sou) tudo que existe. Eu sou a totalidade dos fenômenos que surgem e desaparecem espontaneamente dentro de mim, sou o campo no qual eles existem. Não existe nada separado de mim. A falsidade reside inteiramente no ato medroso de limitar, de esculpir uma posição defensável no interior desta realidade ilimitada e chamá-la eu.</p>
<p>* Não há absolutamente nada que você possa fazer, nenhuma prática que possa iniciar, interromper ou aperfeiçoar, que lhe será de qualquer ajuda no objetivo de livrar-se desta falsa crença, a não ser ver diretamente por si mesmo a verdade, neste momento, repetidamente.</p>
<p>* Tudo o que você sabe, tudo o que pode saber, é que você está aqui. Tudo o mais são histórias e conjecturas. A auto-investigação, ou o esforço para ver a verdade do que você é agora, é portanto nada mais do que voltar a atenção, deliberada e conscientemente, para esta simples consciência de sua presença aqui, com o único objetivo de vê-la diretamente, por si mesmo.</p>
<p>* Não há nenhum entendimento, nenhum ensinamento e nenhum mestre que possam lhe dar você ou lhe mostrar o que você é. Você tem que fazer isto por si mesmo. O máximo que um mestre pode fazer é lhe oferecer encorajamento e instruções práticas, a partir de sua própria experiência.</p>
<p>A auto-investigação de Ramana é inacreditavelmente simples e, justamente por ser tão simples, vai ser necessário algum tempo e um esforço cuidadoso para verdadeiramente receber a sua transmissão essencial. Nós temos todo o tempo do mundo para considerar tudo isso, conforme for necessário. Se quiser, me escreva.</p>
<p>Da próxima vez, escreverei sobre a minha história pessoal, e minha experiência com o método de Ramana e sobre como a descoberta da realidade imutável mudou para sempre a minha vida.
</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Carta de John Sherman à comunidade</title>
		<link>http://www.johnsherman.org/brasil/2006/09/23/hello-world/</link>
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		<pubDate>Sat, 23 Sep 2006 22:46:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sherman</dc:creator>
		
	<category>Geral</category>
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		<description><![CDATA[Carta de John Sherman à comunidade
7 de Agosto de 2006

Queridos amigos, 

Nestes sete anos em que tenho servido ao simples e perfeito ensinamento de Ramana chamado “auto-investigação” percebi claramente que, a despeito do que pensamos que queremos ou do que nos disseram que deveríamos querer, a certeza com relação à nossa própria natureza é a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left">Carta de John Sherman à comunidade<br />
<span lang="PT-BR">7 de Agosto de 2006</span></p>
<div align="left"></div>
<p align="left"><span lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Queridos amigos, </span></span></p>
<div align="left"></div>
<p align="left"><span lang="PT-BR">Nestes sete anos em que tenho servido ao simples e perfeito ensinamento de Ramana chamado “auto-investigação” percebi claramente que, a despeito do que pensamos que queremos ou do que nos disseram que deveríamos querer, a certeza com relação à nossa própria natureza é a única coisa que todos nós desejamos verdadeiramente.</span></p>
<div align="left"></div>
<p align="left"><span lang="PT-BR">E descobri, a partir da minha experiência pessoal, e baseado nos relatos de pessoas que têm estado em satsang conosco, que o simples ato de voltar a atenção, sempre que possível, para a experiência nua e crua de existir resolve todos os problemas e aniquila qualquer tendência a projetar o meu sofrimento nos outros, a tomar dos outros o que eu acho que necessito e a destruir os outros, na crença de que eles são a causa do meu sofrimento.<a id="more-1"></a></span></p>
<div align="left"></div>
<p align="left"><span lang="PT-BR">E a razão para tal, de acordo com os grandes sábios que tentaram trazer até nós este elixir da vida, é que todos estes problemas são falsos, baseados que são na falsa crença de que eu sou a minha história: a história da minha vida, meus sucessos, meus fracassos, meus amigos, meus amantes, meus inimigos, minhas necessidades e desejos. </span></p>
<div align="left"></div>
<p align="left"><span lang="PT-BR">Se isto é mesmo verdade, e o único problema é esta falsa crença, a única solução então tem que ser a verdade; e a verdade está sempre presente. Ela é inescapável e fácil de ver. Nenhum entendimento ou experiência espiritual, nenhum passado espiritual, nenhuma comunidade espiritual, nenhuma virtude ou karma louvável, nada disso é necessário. Somente é preciso a determinação de ver diretamente, neste momento, o que eu <span class="maincontentuline">sou.</span> E se eu realmente sei que é a <span class="maincontentuline">verdade</span> que eu quero, nada poderá constituir um obstáculo.  Eu estou AQUI, inegavelmente AQUI, sempre.</span></p>
<div align="left"></div>
<p align="left"><span lang="PT-BR">Este é o grande presente que Ramana nos deu; esta é a promessa de todos os ensinamentos espirituais de todos os tempos. Este é, nada mais nada menos, o segredo da felicidade eterna e, se fosse do conhecimento de todos, a vida humana neste planeta floresceria como os olhos, ouvidos e a mente, totalmente <span class="maincontentuline">conscientes,</span> da consciência radiante. </span></p>
<div align="left"></div>
<p align="left"><span lang="PT-BR">Vivemos em uma época de possibilidades revolucionárias para a humanidade; uma época em que fundamentalistas de todos os tipos rezam e anseiam pelo Armagedon, pela destruição purificadora da humanidade; uma época na qual estes ensinamentos preciosos surgiram no ocidente e, com eles, a possibilidade de libertá-los de suas vestimentas antigas e métodos de transmissão antiquados, tornando-os assim livremente acessíveis a todos. </span></p>
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<p align="left"><span lang="PT-BR">Esta é uma época na qual a humanidade está realmente energizada, talvez pela primeira vez, com a real possibilidade de um verdadeiro grande despertar, de uma verdadeira revolução na consciência humana. Os meios são simples e evidentes, mas para tornar realidade a promessa de uma transformação da consciência humana, eles <span class="maincontentuline">precisam</span> tornar-se acessíveis a todos. </span></p>
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<p align="left"><span lang="PT-BR">Para tanto, é preciso nos libertar de nossa devoção aos meios de propagação ocidentais. Inocentemente, nós vendemos estes ensinamentos no mercado aberto, convencendo-nos de que esta era a melhor maneira de propagá-los. Tratamos estes ensinamentos como um produto, dando-nos permissão de usar o nosso conhecimento ocidental de promoção e marketing e os meios de controle das forças de mercado para divulgar a verdade; o tempo todo com um olho no lucro, fator essencial na propagação efetiva de produtos. Nós fizemos tudo isso de boa fé e com a melhor das intenções, mas a verdade é que nos perdemos no caminho.</span></p>
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<p align="left"><span lang="PT-BR">Eu quero usar os magníficos e mágicos meios tecnológicos atualmente disponíveis para atirar livremente ao vento as sementes deste ensinamento simples. Quero utilizar a internet, rádio, televisão, contatos pessoais, e todos os meios de transmissão que pudermos imaginar juntos, para plantar na mente de cada ser humano a sugestão de que talvez valha a pena examinar e ver por si mesmo o que se é realmente. </span></p>
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<p align="left"><span lang="PT-BR">Eu gostaria de aprender como ir a uma cidade e montar, promover e produzir um evento que possa atrair <em>todo</em> tipo de pessoas, para que possamos oferecer o presente de Ramana a outros que não o coro das mentes já espiritualizadas, para as quais ele em geral parece excessivamente simples. Eu gostaria de mostrar a todos como é fácil ver a própria natureza; como é fácil determinar se as declarações dos grandes seres espirituais têm qualquer validade, e ver se é realmente verdade que nós não somos o que pensamos ser; e que, à luz da verdade, sabe-se que todas as coisas são magníficas e não necessitam de nada. Eu gostaria que considerássemos a possibilidade de que a ampla disponibilidade deste método talvez possa levar à paz e a compreensão universal entre os seres humanos.</span></p>
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<p align="left"><span lang="PT-BR">Minha visão é tornar este ensinamento <span class="maincontentuline">livremente </span>acessível a todos, sem necessidade de pagamento, sem necessidade de qualquer entendimento espiritual, explícito ou implícito, livre até mesmo de qualquer aspiração espiritual consciente. É por isso que o satsang tem que ser gratuito; porque as únicas pessoas que pagarão em dinheiro para ir aos satsangs são aquelas que já estão prisioneiras da ilusão da aspiração espiritual. </span></p>
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<p align="left"><span lang="PT-BR">Agora podemos ver, se estivermos dispostos, que todo o trabalho espiritual empreendido na crença de que estamos em busca de iluminação e gratificação pessoal não tem qualquer utilidade, seja para nós mesmos ou para qualquer outra pessoa, a menos que possa servir ao despertar geral de toda a humanidade à grande perfeição que é a existência consciente. Agora podemos, se estivermos dispostos, abandonar todas as formas de busca de realização pessoal com a certeza de que tal coisa é um absurdo: tudo é um — se existe alguém aprisionado, ninguém é livre. </span></p>
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<p align="left"><span lang="PT-BR">Se você quiser nos ajudar a realizar este trabalho através de seu apoio financeiro, por favor clique <a href="http://www.riverganga.org/donations/index.shtml">aqui</a> para fazer uma doação.  </span></p>
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<p align="left"><span lang="PT-BR">Se quiser nos ajudar a realizar este trabalho de qualquer outra maneira, ou se quiser conversar comigo sobre esta visão, por favor envie um email para <a href="mailto:johnsherman@riverganga.org">johnsherman@riverganga.org</a> </span></p>
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<p align="left"><span lang="PT-BR">Com amor incondicional,</span></p>
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<p align="left"><span lang="PT-BR">John </span></p>
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