Carta de John Sherman à comunidade

Carta de John Sherman à comunidade
7 de Agosto de 2006

Queridos amigos,

Nestes sete anos em que tenho servido ao simples e perfeito ensinamento de Ramana chamado “auto-investigação” percebi claramente que, a despeito do que pensamos que queremos ou do que nos disseram que deveríamos querer, a certeza com relação à nossa própria natureza é a única coisa que todos nós desejamos verdadeiramente.

E descobri, a partir da minha experiência pessoal, e baseado nos relatos de pessoas que têm estado em satsang conosco, que o simples ato de voltar a atenção, sempre que possível, para a experiência nua e crua de existir resolve todos os problemas e aniquila qualquer tendência a projetar o meu sofrimento nos outros, a tomar dos outros o que eu acho que necessito e a destruir os outros, na crença de que eles são a causa do meu sofrimento.

E a razão para tal, de acordo com os grandes sábios que tentaram trazer até nós este elixir da vida, é que todos estes problemas são falsos, baseados que são na falsa crença de que eu sou a minha história: a história da minha vida, meus sucessos, meus fracassos, meus amigos, meus amantes, meus inimigos, minhas necessidades e desejos.

Se isto é mesmo verdade, e o único problema é esta falsa crença, a única solução então tem que ser a verdade; e a verdade está sempre presente. Ela é inescapável e fácil de ver. Nenhum entendimento ou experiência espiritual, nenhum passado espiritual, nenhuma comunidade espiritual, nenhuma virtude ou karma louvável, nada disso é necessário. Somente é preciso a determinação de ver diretamente, neste momento, o que eu sou. E se eu realmente sei que é a verdade que eu quero, nada poderá constituir um obstáculo. Eu estou AQUI, inegavelmente AQUI, sempre.

Este é o grande presente que Ramana nos deu; esta é a promessa de todos os ensinamentos espirituais de todos os tempos. Este é, nada mais nada menos, o segredo da felicidade eterna e, se fosse do conhecimento de todos, a vida humana neste planeta floresceria como os olhos, ouvidos e a mente, totalmente conscientes, da consciência radiante.

Vivemos em uma época de possibilidades revolucionárias para a humanidade; uma época em que fundamentalistas de todos os tipos rezam e anseiam pelo Armagedon, pela destruição purificadora da humanidade; uma época na qual estes ensinamentos preciosos surgiram no ocidente e, com eles, a possibilidade de libertá-los de suas vestimentas antigas e métodos de transmissão antiquados, tornando-os assim livremente acessíveis a todos.

Esta é uma época na qual a humanidade está realmente energizada, talvez pela primeira vez, com a real possibilidade de um verdadeiro grande despertar, de uma verdadeira revolução na consciência humana. Os meios são simples e evidentes, mas para tornar realidade a promessa de uma transformação da consciência humana, eles precisam tornar-se acessíveis a todos.

Para tanto, é preciso nos libertar de nossa devoção aos meios de propagação ocidentais. Inocentemente, nós vendemos estes ensinamentos no mercado aberto, convencendo-nos de que esta era a melhor maneira de propagá-los. Tratamos estes ensinamentos como um produto, dando-nos permissão de usar o nosso conhecimento ocidental de promoção e marketing e os meios de controle das forças de mercado para divulgar a verdade; o tempo todo com um olho no lucro, fator essencial na propagação efetiva de produtos. Nós fizemos tudo isso de boa fé e com a melhor das intenções, mas a verdade é que nos perdemos no caminho.

Eu quero usar os magníficos e mágicos meios tecnológicos atualmente disponíveis para atirar livremente ao vento as sementes deste ensinamento simples. Quero utilizar a internet, rádio, televisão, contatos pessoais, e todos os meios de transmissão que pudermos imaginar juntos, para plantar na mente de cada ser humano a sugestão de que talvez valha a pena examinar e ver por si mesmo o que se é realmente.

Eu gostaria de aprender como ir a uma cidade e montar, promover e produzir um evento que possa atrair todo tipo de pessoas, para que possamos oferecer o presente de Ramana a outros que não o coro das mentes já espiritualizadas, para as quais ele em geral parece excessivamente simples. Eu gostaria de mostrar a todos como é fácil ver a própria natureza; como é fácil determinar se as declarações dos grandes seres espirituais têm qualquer validade, e ver se é realmente verdade que nós não somos o que pensamos ser; e que, à luz da verdade, sabe-se que todas as coisas são magníficas e não necessitam de nada. Eu gostaria que considerássemos a possibilidade de que a ampla disponibilidade deste método talvez possa levar à paz e a compreensão universal entre os seres humanos.

Minha visão é tornar este ensinamento livremente acessível a todos, sem necessidade de pagamento, sem necessidade de qualquer entendimento espiritual, explícito ou implícito, livre até mesmo de qualquer aspiração espiritual consciente. É por isso que o satsang tem que ser gratuito; porque as únicas pessoas que pagarão em dinheiro para ir aos satsangs são aquelas que já estão prisioneiras da ilusão da aspiração espiritual.

Agora podemos ver, se estivermos dispostos, que todo o trabalho espiritual empreendido na crença de que estamos em busca de iluminação e gratificação pessoal não tem qualquer utilidade, seja para nós mesmos ou para qualquer outra pessoa, a menos que possa servir ao despertar geral de toda a humanidade à grande perfeição que é a existência consciente. Agora podemos, se estivermos dispostos, abandonar todas as formas de busca de realização pessoal com a certeza de que tal coisa é um absurdo: tudo é um — se existe alguém aprisionado, ninguém é livre.

Se você quiser nos ajudar a realizar este trabalho através de seu apoio financeiro, por favor clique aqui para fazer uma doação.

Se quiser nos ajudar a realizar este trabalho de qualquer outra maneira, ou se quiser conversar comigo sobre esta visão, por favor envie um email para johnsherman@riverganga.org

Com amor incondicional,

John

5 respostas para 'Carta de John Sherman à comunidade'

  1. Alex C. Diz:

    Belíssimo John,

    Eu não venho ao seu site com freqüência, mas eu queria ler este texto, porque ele me intrigou. Eu estava um pouco apreensivo, porque já li muitos “escritos de satsang” e como quase sempre gosto do que leio, não pensei que o seu texto fosse ser diferente dos outros. Totalmente inspirador! Sem preço, sem restrições. Parece que Isso acontece a todos por si mesmo; mas talvez seja possível eliminar as barreiras que impedem a sua ocorrência. Se pudermos eliminar as barreiras a Isso dentro de nós, certamente também poderemos abrir caminho na sociedade ainda mais. O processo está sem dúvida acontecendo. Visões com esta sua, que eu acabo de ler, escrita com tal fogo, estão impulsionando o processo conforme se faz necessário. A Verdade apóia e sustenta a si mesma! Seu comentário final sobre realização pessoal e a necessidade de liberdade para todos é uma transmissão bem clara. Ela me traz de volta a Isso. Obrigado.

    alexC.
    18 de agosto de 2006

  2. Silvio Diz:

    Caros John e Carla,

    Foi com muita alegria que encontrei sua carta já traduzida para nossa lingua pela Carla. Fiquei encantado com suas palavras simples e diretas, principalmente pela disposição em se colocar a serviço da verdade do que somos. Continue a semeadura, não se prenda a resultados, apenas semeie, a fonte de onde vêm as sementes fará o resto. Faça como o sol que todas as manhãs deita seus raios sobre os campos semeados sem se preocupar com quais sementes irão brotar. Nem todas vão brotar nesse dia, mas as que brotam produzem milhares de outras sementes e por essas já valeu a pena. As sementes que Ramana lançou, brotaram em Papaji, Gangaji, John e muitos outros, e veja as novas sementes que estes já estão a lançar por aí. A semeadura está se fazendo, eu li sua carta aqui no Brasil. Me tocou a sua ultima afirmação: tudo é um; se existe alguém aprisionado, ninguém é livre. Foi exatamente esta a conclusão a que Budha chegou: Tudo já é iluminado, tudo tem natureza de Budha. Então, se tudo já é iluminado, já é realizado, porque Budha ao invés de entrar no nirvana, saiu de sua árvore e foi em direção ao povoado pregar a verdade? Você deu a resposta certa; não sou livre se outras partes de mim estão aprisionadas. No fundo, estamos libertando a nós mesmo, quando nos dedicamos à liberdade dos outros com total desapego. Isto chama-se compaixão. Nasce mais um Bodhisatwa. Não se preocupem, o caminho irá se fazendo ao caminhar. Se o Ser mostra um caminho, o Ser o trilhará.

    Muita paz, silêncio, amor e harmonia para vocês.

    Silvio - Brasil
    24 de agosto de 2006

  3. Haqiqa Diz:

    John,

    Você continua me comovendo profundamente. Conheci você pessoalmente há três anos, em Ashland. Eu fui até Ashland, vindo de Eugene, em uma sexta-feira, pouco depois da minha própria passagem através dos portões. Seu apoio foi arrebatador. Seu Amor incondicional, uma maravilha sem par. Conversei com você brevemente após a sua palestra e senti que estava sendo vista da maneira mais profunda possível.

    Acredito que este movimento em direção à liberdade em mais um nível é perfeito. Sei, por experiência própria, que quando se atende ao chamado profundo de uma vocação, todas as necessidades são atendidas. O Universo, através dos corações abertos das pessoas movidas pelas gratidão, fornecerá livremente tudo que for necessário; e é sempre uma surpresa.

    Meu caminho foi agraciado com muitos mestres surpreendentes e nunca houve qualquer necessidade de pagamento. No começo, tive que me adapatar e aprender a receber livremente. Conforme me abri, o movimento de gratidão tornou-se quase arrebatador. Isto também precisava se acomodar. Quando isenta de pagamento, a liberdade para dar também é livre.

    Bençãos,

    Haqiqa
    4 de setembro de 2006

  4. Brian e Mati Diz:

    Isto é de primeira classe, John: foi para isso que a internet foi inventada! Estamos muito felizes em apoiar você neste esforço.

    Brian e Mati
    17 de setembro de 2006

  5. Nirvan Diz:

    Fui apresentado a John e Carla através de meu amigo Darshano aqui em Porto Alegre (Brasil) que iniciou a tradução de alguns textos por livre vontade e começou a compartilhá-la de forma igualmente livre e eis agora que tenho acesso a este portal on-line diretamente com John. Sementes que geram sementes que geram flores de liberdade !! Esta abordagem é de rebeldia e ruptura total. Teria muito a dizer, mas nada parece tão importante a não ser… quem afinal diria? Muito grato e receptivo, Nirvan. 05 - janeiro - 2006

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